Costa, Chalil
Publicitário. Preto. Cruzeirense. Cidadão do mundo. Agora vivo em Rio Branco. Ano que vem eu não sei. Sou de 83, ano do Porco no calendário chinês. Amei minha mãe desde quando ainda fazia parte do saco do meu pai. Amei meu pai nesta mesma época também. Permaneço amando-os até hoje. Amarei sempre. Tive uma boa infância. Queria ser um dinossauro. Gostei de geografia e história. Quando era para estudar matemática, preferia estudar geografia e história. Me mudei algumas vezes. Por isso ainda não tenho aquela sensação de que “aqui é o meu lugar”. Às vezes esqueço que tenho um lar. Eu Tenho um lar. Sou orgulhoso por isso. Sou orgulhoso por ter encontrado um amor diferente que me faz crescer. Sou orgulhoso por ainda querer ser um dinossauro.
Adoro o Sinatra, o Bennet, o Ferrer, o maconheiro do Manu Chao, o Michael Jackson, a Billie Holiday, a Ella Fitzgerald, o Oscar D’Léon, Orishas, Oasis, o rei Elvis, o rei Roberto e o Ray Charles. Queria ter vivido na época dos Beatles, ter composto You’ve Got a Friend pro James Taylor e ter roubado uma guitarra do Chuck Berry.
Se eu fosse um filme seria Três Homens em Conflito. Mas também poderia ser Por uns Dóllares a Mais, Por Um Punhado de Dóllares, Era uma vez no Oeste, Os Imperdoáveis, Uma Pistola Para o Djeca, Os Deuses devem estar loucos (o 1 e o 2), além de Amores Brutos, 21 Gramas, O Parque dos Dinossauros, Babel, Traisnpotting, Cova rasa. Poderia ter participado em uma cena de O Festim Diabólico ou de Ladrões de Bicicleta.
Já bebi muita cerveja, vinho e tudo que contenha álcool. Hoje só bebo água, refrigerante e café. Tenho um apego muito forte com a minha barba e o meu cabelo. Quando criança fazia barba de caneta, de xampu, de sabonete, de sabão e até de detergente. Quero ver meus cabelos grisalhos. Sou superficial, egoísta e extremamente ciumento. Acredito em amor à primeira vista, dinossauros, acreanos e no presidente do Brasil. Creio que não gosto muito de política, porém tomo partido. Queria ser um dinossauro. Expresso meus sentimentos em pequenas linhas e em algumas propagandas que faço (não todas). Penso no tempo. Amo a América do Sul, os Andes, os desertos, a neve, os vulcões, as lhamas e os peixes.
Não encontrava razões na pesca. Hoje encontro razões, tucunarés, traíras, piaus, pacus, tambaquis, pirarucus e jaús, os meus preferidos. Sinto um profundo desconforto todos os dias. Acho que é aquela velha vontade de ser um dinossauro.
Às vezes oro. Sempre recito as mesmas palavras. Espero o universo conspirar a meu favor. Quase sempre dá certo. Sou místico. Acredito que não vivo por acaso. Fui um dinossauro na era mesozóica. Roubei doces na Paris de Vitor Hugo. Fui um aleijado na Roma de Júlio César. Fui pescador na costa Portuguesa e ao meu lado estava um velho caolho que atendia por Camões. Sou confuso. Indeciso. Apaixonado. Diferente. E gosto de pensar que o mundo teria perdido muito se nesta existência eu viesse travestido de cavalo, por exemplo. Mas ganharia muito mais se eu fosse um dinossauro.
Enfim, sou força vital, sou o infinito universo, sou senhor do meu tempo. Dedico a minha vida a lei da causa e do efeito!
Chalil Costa
08/08/08 místico



