Da capela ao túmulo


Deixai que eu beba do teu néctar
Faças da minha alma pedaço da tua
Esposas-me com as alianças etéreas
Sacrificas-me com teu punhal do amor

A escuridão noturna que do céu foge ao amanhecer
Correu comigo a tua procura pelos quatro cantos
Revelou a ti os mais profundos e obscuros sentimentos
Que herdei das mais misteriosas criaturas...

Esse é o meu tempo
Que voa como os corvos no céu
Expressivas ondas de prazer e dor me dominam
As minhas lágrimas salgaram os teus lábios

Quero muito mais que um beijo
Uma vida inteira junto a tua saliva
Transformei-me em criado do meu amor
Sou servo, escravo dessa flor que sobrevirá ao outono.

Lírios de cemitério
Lampírios que me guiam nessa viagem sem volta
Do leito ao caixão; da capela ao túmulo.
Da vida o cansaço; da morte o acúmulo.

Foram inúmeras noites a tua espera
O quanto dura uma alma para se decompor
Agradeço-te por ser minha prometida
Nesse funesto himeneu apaixonado
Nossas virtudes e defeitos
Conjugam nossas vidas inerentes
Eu amo,
Tu choras,
Ela espera...
Nós morremos.

izaú Melo

3 comentários:

Chalil Costa disse...

cara, eu gosto muito, muito, muito desse texto também, muito mesmo ele me lembra esses versos do grande mestre Alvares de Azevedo:
" ... Da'-me um beijo - abre teus olhos
Por entre esse umido veu;
Se na terra e's minha amante
E's minha alma no ceu!"
Muito bom, perfeito!
Te aplaudo de pé!

J. disse...

Intenso. Como notas frenéticas. Muito intenso. Difícil acreditar que uma alma "contemporânea" raciocina desta maneira... é. Você definitivamente não é desta época meu caro.

Lana Di Fréya disse...

Izau,

Surpreendente!
Acredito fielmente que é formulada no funda da sua alma.

Alias, romantismo é com você mesmo ..rs..

Bom fim de semana.
Beijos

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