Vira Lata  

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Sei lá…

Mas é que no final de tudo eu me pego pensando nas coisas,

Pensando na sonoridade do seu nome,

No quanto adorava repeti-lo em voz alta,

Só para ter a certeza de que jamais iria te esquecer.

Revirando o passando, como o cão sarnento revira a lata,

Eu busco alimento para esse dia,

Sobrevivendo um minuto por vez,

Embalando o esquecimento e aquela maldita vontade de ir embora,

Que vez ou outra bate minha porta...

É tanta coisa em minha mente,

Tantas curvas nos pensamentos,

Que me perco em qualquer beco,

Girando, tentando morder meu próprio rabo,

Feito cão faminto, sem dono

Esperando socorro...

...

Escrevi umas linhas pensando em você,

Espero que possa ler,

Espero que possa crer:

Que tudo que vivemos fez sentido,

Que tudo que vivemos faz sentido.

E que sentido faz, quando nada em nossa vida faz sentido!

Chalil Costa

Más Notícias  

Posted by: Izau Melo † in ,


Se for pra falar que eu não deveria ter nascido
Só não diga a minha mãe
Se for pra falar que tenho péssimos hábitos
Me presenteei com um exemplar da Cláudia Matarazzo
Se for pra falar que zerei em alguma disciplina
Me diga que foi matemática
Se for pra me dar um fora
Não diga que encontrarei alguém melhor
Se for pra me demitir
Pelo menos não faça a cara de quem se importa
Se for pra matar o meu gato
Permaneça ao meu lado
Se for pra falar que só gosto do que não presta
Certifique-se de que já não gosto de você
Se for pra incendiar minha casa
Pelo menos me espere sair de dentro
Se for pra matar
Que sejam os Teletubbies
Se for pra me isolar
Reviva os chachapoyas
Se for pra morrer
Que seja nas cordilheiras dos Andes
Se for pro meu velório
Pelo menos sirva Kopi Luwak com grãos recém-torrados.
Se for pra acabar comigo
Não comece com outro
Se for pra falar que detestou esse texto
Discorra categoricamente sobre os heterônimos de Fernando Pessoa.

Izaú Melo
19/11/2009
Mais um pensamento imbecil em momentos de ócio

Sobre 24 Horas de Total Poder  

Posted by: Izau Melo † in ,


Depois de um dia cansativo de trabalho, quando chega à noite e tudo o que nos espera são pequenas horas de descanso e a certeza de que amanhã será totalmente igual, só nos resta deitar, e ficar pensando o que faríamos se pudéssemos mudar o rumo e o sentido das coisas, é sempre bom agarrar o travesseiro e tentar imaginar o que faríamos se tivéssemos 24 horas de total poder sobre as coisas e as pessoas, ainda mais sendo como eu, que gosto de dormir ouvindo o barulho da chuva e pensar em tudo antes de dormir...

Há essa hora posso simular situações e contar pro vento os meus pequenos grandes sonhos... queria te encontrar assim, num dia frio, bom para caminhar, te encontrar dentro de uma Biblioteca, comendo batatas fritas e estudando libras, tudo o que eu queria era algo do Pessoa ou do Neruda pra tentar me inspirar, no entanto, tive mais que isso, mais do que o que eles tiveram para escrever, a visão do paraíso, uma linda mulher, de cabelos castanhos claros, (brinquedo predileto do vento), um sorriso largo e encantador, rostinho de criança, com traços artísticos divinamente inspirados, escondidos por trás de um óculos de uma dessas marcas famosas. Usava calça jeans e havaianas, tudo tão natural e ao mesmo tempo mais elegante que os vestidos das senhoritas ricas de dois séculos atrás. No primeiro olhar senti que faltou o chão, no segundo olhar o coração acelerou a tal ponto que senti meu sangue correr veloz nas veias como se fosse em uma pista de autorama, respirei fundo pra que não tivesse um troço e ai senti falta do suco ruim de beterraba que minha mãe sempre quis que eu tomasse pra que eu me sentisse forte. No terceiro olhar, nossos olhares se cruzaram, ai, se existe cupido ele já não usa flecha, e sim uma escopeta de cano duplo, e não atira mais no coração e sim nos olhos e no cérebro, bem naquele cantinho que onde fica a razão e o equilíbrio, porque de tanto te olhar, tropecei numa estante, espatifei livros, chutei um vaso de plantas e derrubei alguns quadros decorativos, nesse momento aparecia você, se eu tivesse vergonha, teria ficado na hora, mas você riu e disse: “Não se preocupe, eu também sou super desastrada.” A partir daquele momento acreditei no amor a primeira vista, você saiu da biblioteca, pensei em te deixar ir e guardar esse momento no meu relicário sentimental, mas não, tomei coragem e fui ao teu encontro, falei qualquer coisa a respeito do tempo e ou do trânsito complicado do fim da tarde, há essa hora já tinha escondido o relógio de pulso pra perguntar se você poderia me informar que horas eram. Você respondeu e eu te entendi dizer que faltavam 15 minutos pra eu ser feliz, na verdade, naquele momento tudo o que me interessava era interagir contigo, pois temia de que, do nada, você desaparecesse da mesma forma que apareceu...
Você começou a rir do meu desespero e aceitou o meu convite para um sorvete. Você recém habilitada e eu com cara de menino que ganhou um vídeo game. Sentamos-nos em uma sorveteria qualquer e você pediu um sorvete de morango e eu também, não porque eu queria aparentar que tinha o mesmo gosto que você, mas porque era o que mais se aproximava com a cor e o sabor dos seus lábios, com aquele rosado sutil de um baton que eu queria tirar da sua boca com a minha boca. Conversamos sobre muitas coisas, você falou em textos jurídicos e eu em textos literários, falava de teatro e você de cantatas natal e estilos de vozes. Percebi que apesar do ambiente cooperar havia uma música terrível que você cantarolava baixinho, perguntei se gostava e me dissestes que não, mas que não sabia por que sempre se pegava cantarolando as músicas que detestava, achei engraçado, todavia você fazia uma cara de quem não estava gostando de nada, contei algumas das minhas melhores piadas, você também não riu e me disse: “não se preocupe, é que tem dia que tudo me irrita... o mundo me irrita”. Fiquei na minha, naquele momento esbocei uma cara triste de emoticon abatido. Tentei mudar o assunto e falar de artes e você me falou da arte de conviver com os idiotas... calei na hora, pensei ter sido comigo... daí você falou: “as vezes tudo o que quero é ficar sozinha”. Levantei-me, pra ir embora, paguei os sorvetes, peguei o troco de chicletes e dei-os a você... quando ia me despedir perguntou-me para onde eu ia, dai eu disse, que iria para qualquer lugar que te fizesse se sentir melhor, porque era onde estava o meu paraíso. Entramos no carro, não falei nada até que começastes a falar, dizendo que tinha dias que nem você conseguia se entender, argumentei dizendo que isso era normal, que você tinha o direito de pensar e ser assim... você riu e disse: “estou com fome, vamos pra minha casa que farei algo pra comer, não sei cozinhar mas eu cozinho”, fui contigo e logo comecei a cortar legumes e verduras, você contou uma história triste de um amigo invisível, e a cebola me ajudou chorar, fizemos qualquer coisa parecida com uma macarronada e fomos pra sala assistir o chaves em Acapulco, apesar de termos assistido quase 50 vezes esse mesmo episódio, ainda ríamos das mesmas piadas. Eu achava ótimo olhar para ti e te ver uma pessoa extremamente natural, dando risada, comendo macarronada e vendo um programa banal. Era como se a deusa máxima do Parnaso tivesse se materializado, saído do trono e estivesse ali do meu lado, agindo normalmente como qualquer criatura que não precisa de muito para ser feliz.
Após a comida eu fui lavar a louça enquanto você fazia um brigadeiro de farinha láctea, e me contava dos seus sonhos de ter uma casa na árvore e saltar de pára-quedas... eu dava risada e acabei te deixando sem graça. Sentamos novamente pra ver TV, (Eu a patroa e as crianças), enquanto você se concentrava na TV, eu me concentrava em você e no desejo ensandecido de te beijar, no entanto pensei, “tudo tem o seu momento certo...” pela porta dos fundos eu vi um lindo campo e lá mais embaixo um maravilhoso lago, você começou a correr e me desafiou a um duelo de policia e ladrão, garantiu que eu jamais te pegaria, corremos feito duas crianças pelo campo e quando finalmente te alcancei caímos, e eu fiquei sobre ti, te olhava nos olhos, com os meus lábios a alguns centímetros dos teus... nossos olhares trocaram frases incompreensíveis e naquele momento entendi que o amor chegara pra mim ao som de
my life, my love, my all, com Kirk Franklin cantando ao lado e morrendo de inveja do momento... Te beijei, mas não um beijo qualquer, Um beijo que começou devagar, num estalinho, ao redor, do lado da boca, meio que provando um gosto, saboreando, beijo na trave, um sorriso provocante... após isso um outro beijo, dessa vez, de verdade, gostoso, molhado, com vontade... explorando tua língua, sem culpa, sem medo, apenas beijo, longo e prazeroso, até sentir que não foi só a tua pele que foi beijada, nem tua boca apenas, mas tua alma de forma terna e inocente, com gosto de chocolate branco ao leite, senti que naquele momento te beijava com cada centímetro do meu corpo, você me olhou novamente com um sorriso provocante e disse: “Gostou? Meus pais que fizeram!”, ri da sua falsa modéista, nos beijamos de novo... pararia o tempo naquele momento, se pudesse... nos deitamos, um ao lado do outro, olhando o céu e adivinhando os desenhos das nuvens... de repente, como em um jogo de xadrez, nuvens escuras comeram as claras e começou a chover, tomamos banho de chuva e corremos feito crianças pelas esquinas do coração. Até que você sentiu frio, voltamos pra casa, você tomou banho e depois foi minha vez, sentamos perto de uma lareira para esquentar, a chuva continuava lá fora e dentro jogávamos Uno, 15 partidas, você ganhou 14 e justamente na que eu ia ganhar você espatifou as cartas. Ficamos rindo por um bom tempo, dai o frio aumentou e nos recolhemos em uma grande e confortável poltrona, estávamos sentados e bem abraçados, envoltos em um cobertor, e você nos meus braços falou dos seus medos, da solidão, do fato de que poderia morrer duas vezes, porque sua mãe a mataria acaso você morresse, do medo do bicho papão, de que você às vezes era ansiosa, nervosa e insegura. E eu queria te abraçar tão mais forte que nenhuma força natural pudesse nos separar, queria te dar amor, carinho e atenção... consegui enfim te passar segurança e você, se aconchegando ainda mais nos meus braços, não falou que me amava, porém disse que já não pensava que eu era um psicopata ou serial killer. Contou-me seus pequenos segredos, como arrependimentos do passado, do quanto odiava ficar no vácuo, que trocava bilhetinhos na aula, que morria de ciúmes mas não falava, que já tentou voltar pro mesmo sonho, que sempre se pegava em momentos de de javú, que quando estava encrencada sempre tinha um plano que na maioria das vezes falhava, falou em tempos que não voltariam mais, que odiava salto alto, mas se via obrigada a usar... eu ouvi tudo com muita atenção porque por mais que parecessem bobagens eu adorava saber mais de ti, cada nova descoberta era como se me sentisse ainda mais íntimo, e com uma fútil esperança de que, quando as minhas 24 horas de poder acabassem eu ainda poderia ter você...

As horas se seguiram impiedosas, mais um beijo e todos os meus sentidos e sentimentos foram acesos, ao lado da poltrona que estávamos havia uma cama de plumas e lençóis de fina seda, olhei pra você, olhei pra cama e pra você novamente, te olhei profundamente nos olhos, e sem palavras eu entendi que você dizia: “Hoje nunca, amanhã talvez...”. No meu dia de total poder eu poderia realizar esse último anseio, mas não quis, não queria que fosse assim... lágrimas escaparam dos meus olhos, o cheiro do seu pescoço me embriagava num êxtase de prazer que eu não conseguia esconder, sabia que eu poderia me arrepender mais do que qualquer outra coisa na vida, no entanto sabia que essa não era a minha essência, e sobretudo, o seu largo e belo sorriso me completava, não queria mais nada além de te ver assim, feliz. 23:59 minutos e ainda estávamos jogando conversa fora... você se levantou e disse que tinha uma surpresa para mim... pediu-me para fechar os olhos, todavia não pediu para eu os abrir, depois de exatos um minuto eu reabri e você havia desaparecido...

Minhas 24 horas chegaram ao fim, tudo voltou ao normal, não foi você quem sumiu, foi eu quem voltou as minhas origens, era o meu quarto, a minha cama, o meu travesseiro e os meus devaneios, das 24 horas só a chuva e o frio permaneciam lá fora...

Pensei em tudo antes de dormir, em mim, em você, em nós... e meu último pensamento foi que, se não puder te encontrar, melhor pagar uma passagem eterna, pra viajar num trem que nunca vai chegar a lugar algum, do contrário, na pior das hipóteses daqui a 50 anos poderei te encontrar em um banco de praça alimentando pombos e ao som de
Cry da Mandy Moore, dizer que a beleza passou, mas que o conteúdo e os sentimentos ficaram, e que tudo o que quis foi ter você, nas minhas 24 horas de total poder.

Izaú Melo

16 CD's - Com o Melhor da Música Clássica  

Posted by: Izau Melo † in

16 CD classical – Forever Classics (16CD)

Simplesmente a melhor coletânea para quem quer ouvir o melhor da música erudita. Não deixem de conferir,].

CD1: BACH
1-4 Brandenburg Concerto No.1 in F Major, BWV 1046
5-7 Brandenburg Concerto No.2 in F Major, BWV 1047
8-9 Brandenburg Concerto No.3 in G major, BWV 1048
10 Toccata & Fugue in D minor, BWV 565
11 Organ Concerto in D Minor, BWV 596 (after Vivaldi)
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CD2: BEETHOVEN
1-4 Symphony No.5 in C Minor, Op.67
5-8 Symphony No.7 in A Major, Op.92
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CD3: DVOŘÁK
1-4 Symphony No.9 in E Minor, Op.95
5-9 Slavonic Dances, No. 1-5
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CD4: HANDEL
The Water Music Suites
1-10 No.1 in F Major
11-15 No.2 in D Major
16-21 No.3 in G Major
22-27 Music for the Royal Fireworks
28 Largo from the Opera “Xerxes”
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CD5: MENDELSSOHN
1 The Hebrides Overture (’Fingal’s Cave’) Op.26
2-4 Violin Concerto in E Minor, Op.64
5-8 Symphony No.4 in A Major (’Italian’), Op.90
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CD6: MUSSORGSKY
1-15 Pictures at an Exhibition
16 Night on a Bare Mountain
17 Smetana – Ma Vlast – The Moldau River
18 Debussy – Prélude a L’Aprés – Midi d’un Faune
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CD7: RAVEL
1 Boléro
2 Valse
3-6 Rhapsodie Espagnole
7-14 Valses nobles et sentimentales
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CD8: TCHAIKOVSKY
1-3 Piano Concerto No.1 in B flat Minor, Op.23
4-6 Violin Concerto in D Major, Op.35
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CD9: MOZART
1-4 Symphony No.40 in G Minor, K.550
5-8 Symphony No.41 in C Major, K.551 (”Jupiter”)
9-10 Two Marches in D Major, K.335
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CD10: BRAHMS
1-3 Hungarian Dances, No. 1,5&6
4 Tragic Overture, Op.81
5-7 Violin Concerto in D Major, Op.77
8 Piano Quartet No.3 in C Minor, Op.60 (ex. Andante)
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CD11: CHOPIN
1-3 Piano Concerto No.2 in F Minor, Op.21
4-7 Piano Sonata No.2 in B Minor, Op.35
8 Sherzo No.1 in B Minor, Op.20
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CD12: GRIEG
1-3 Piano Concerto in A Minor, Op.16
4-7 Peer Gynt Suite No.1, Op.46
8-11 Peer Gynt Suite No.2, Op.55
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CD13: HAYDN
1-4 Symphony No.46 in B Major
5-8 Symphony No.92 in G Major
9-12 Symphony No.104 in D Major (”London”)
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CD14: SCHUMANN
1-4 Symphony No.1 in B Major, Op.38
5-8 Symphony No.2 in C Major, Op.61
9-10 Scenes from Childhood, Op.15 (Kinderszenen) – excerpts
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CD15: STRAUSS (
1 On the Beautiful Blue Danube, Op.314
2 Voices of Spring, Op.410
3 Viennese Bonbons, Op.307
4 An Artists’s Life, Op.316
5 Morning Papers, Op.279
6 Where the Lemon Trees Bloom, Op.364
7 Vienna Blood, Op.354
8 Parting with St. Petersburg, Op.210
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CD16: VIVALDI
The Four Sesons – Concertos for Violin, Op.8
1-3 No.1 in E Major – Spring
4-6 No.2 in G Minor – Summer
7-9 No.3 in F Major – Autumn
10-12 No.4 in F Minor – Winter
13-15 Oboe Concerto in A Minor
16-18 Bassoon Concerto in B Major
19-21 Flute Concerto in F Major
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Pensamentos imbecis em momentos de ócio  

Posted by: Izau Melo † in ,


Um dia desses lendo a bula de um Prozac descobri que bioquímicos são mais importantes que nós poetas.
No entanto penso, que se não fosse o amor, que virou dor, que acabou por se tornar depressão,
não teríamos dado-lhes uma profissão para construir um alivio artificial para nossos pesares.
Compramos seus alivios imediatos e damo-lhes dinheiro, que provavelmente lhe dará a oportunidade de comprar um presente caro para a mulher que ele ama, e isso vai alimentar uma conquista...
Que vai virar amor, que talvez vire dor, que acabará por se tornar depressão,
e ao invés dos remédios ele vai fumar um charuto e tomar uma dose de uma bebida forte, na taverna do velho que comprou um livro de romance escrito por um poeta...
que narrava a trágica história de um burguês apaixonado,
Só para se convencer de que não foi o único que...
tinha um amor, que virou dor, que acabou por ser uma depressão...
e que optou por ler livros ao invés de bulas, que não falavam de composições
quimicas, mas de assuntos do coração.

Izau Melo

Caro e estimado amigo  

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Olá caro e estimado amigo Costa, Chalil

Regozijei-me quando os meus olhos divagaram sobre as tuas palavras, é sempre um prazer jucundo quando tenho notícias suas. Foi muito bom te ouvir falar sobre rios, igarapés e valores da vida... Lembrei da incrível habilidade que tens para dar rodeios preliminares antes de contar uma grande notícia, e eu muito aprecio esta prática, porque ao saber do final percebo que tudo o que foi dito outrora, implicitamente, faz sentido agora...

Ao que pude perceber foi ateado fogo na velha lareira, limparam as prateleiras, foi posta a mesa, um bom vinho para aquecer e sentimentos verdes esperando amadurecer. É Bom saber que sentes isso de novo, algumas vezes na vida precisamos sentir isso para que saibamos que não nos tornamos no que éramos antanho, tão feios e tristes quanto a palavra antanho, a falta de paixão nos torna insípidos e acomodados, mortos como o nosso passado. Somos movidos pelas paixões, como falei outrora a solução para o mundo é se apaixonar e completo com uma frase minha que diz que, na vida só se lucra o que se come, a cultura que se consome, os lugares que se conhece e as mulheres por quem nos apaixonamos, porque de tudo isso extraímos lições para toda a vida, principalmente no que concerne a erros nesta efêmera lida, afinal o único homem que nunca comete erros é aquele que nunca faz coisa nenhuma. E nós, enquanto poetas, precisamos ser livres para arriscar algumas, e eu, fico feliz porque ao invés de muros eu construí pontes, pontes que me levam até você e até as coisas que dou valor, que me dão prazer e inspiração, os muros, ao contrário disso nos enclausuram e cerram os nosso horizontes, e um homem sem horizontes equipara-se ao ser que possui muitos livros e não sabe ler.

Também posso dizer que a minha velha lareira está acesa, justamente quando o inverno chegou pelas bandas de cá. Depois de uma vida dentro de um casulo finalmente saio dele, e conheço aquela que para mim é a própria imagem e sentido da palavra paraíso. Me tornaria um homem bomba se Alá me prometesse isso. Tenho uma porção de sentimentos guardados por todos os lugares, gavetas, estantes e prateleiras com todos os tipos de emoção por mim vividas, no entanto essas experiências devem ser lançadas na fogueira, porque essa de agora é diferente, como a sua situação, eu também ainda não a vi pessoalmente, mas a vontade de tê-la bem perto de mim é tão forte que chego a materializá-la mormente, ao olhar as fotografias eu sinto paz de espírito, converso com os seus olhos, e eles me falam o que gosto de ouvir, o seu sorriso de chocolate branco ao leite me leva a imaginar o sabor dos seus lábios e a iguaria de um beijo seu, os traços da sua face me fazem entender o quanto o melhor dos artistas ainda é amador. Olho para os cabelos, aproximo a imagem do meu rosto e quase posso sentir o cheiro, o adorável aroma das melhores flores colhidas no jardim do Éden, um perfume tão envolvente que me sinto embriagado em um misto de êxtase e sensualidade depurada. Sua pele... Ah! sua pele, clara como a luz dos faróis em noites de tormentas, os pêlos dos seus braços assemelham-se com a fina seda dourada e a maciez da sua tez é maquiada com o pó das estrelas.

Um dia desses eu ouvi sua voz, e uma sensação de arrebatamento me tirou o chão... Quando canta, acredito nas lendas das sereias que encantavam os navegantes mitológicos e os matavam afogados, prudente seria acorrentar-me, todavia não há forças para isso, de mim, não levaria apenas o coração, mas o meu barco, o mar e uma via láctea inteira de verdades, certezas, argumentos e teorias de beleza que passei a vida inteira arquitetando e hoje não fazem mais o menor sentindo, pois o meu sentido agora é um só, admirá-la sobre todas as coisas. Sua voz é uma ordem e exala uma candura surreal, são tantas as qualidades que fazem dela uma farmácia para os meus males, tudo que provem dela me faz bem, espanta os meus receios, preocupações e as pétalas do malmequer. Quando ela bate a minha porta, a solidão pula a janela, a tristeza escapa pela fresta e meu coração, feito menino bobo sorri para ela, quando simplesmente me diz: “Hoje o dia está tão bonito”. E eu busco sentindo e o encontro quando entendo que um dia belo nada mais é do que a nobre expressão do mundo para agradecê-la por habitar na face da terra.

Ah! Querido amigo, não tenho palavras para expressar o prazer que sinto, se fosse trovador tocaria mil odes, se soubesse escrever faria uma enciclopédia de 162 livros, um para cada centímetro do seu corpo. Se soubesse pintar faria 720 quilômetros de pinturas barrocas para que ela pudesse pisar e caminhar ao meu encontro. Sabe Chalil, a oportunidade apenas dança com os que já estão no salão, e eu já encontro-me nele, com indumentárias do século passado, uso um terno tão terno, adornado com broches de sentimentos eternos. Eu quero conquistá-la, dançar com ela, ouvi-la cantar, tocar para sua voz acompanhar, senti-la adormecer em meus braços. Vivaldi quando compôs primavera sabia o que estou sentindo hoje e Chopin quando tocou os noturnos sabia o que sinto em estar assim, tão distante. Afinal o meu relógio marca minutos de tamanhos diferentes, minutos grandes e pequenos constroem o meu tempo, com horas pequenas com ela e eternas sem ela. Sofro com isto, porque sendo eu Adão, meu paraíso é onde está Eva. Talvez tudo isso pareça uma loucura, e se for, como Erasmo de Rotterdam, eu elogio esta loucura que me tem levado a lugares que a razão está aquém, na sua ignorância de concreto armado que constrói escadas de mármore que apenas descem, com seus corrimões de carvalho. Prefiro as escadas de nuvens de algodão doce que sobem para um sentimento inexplicável e quanto a mim, não importa se construo sonhos concretos em alicerces abstratos. No momento o que me importa é ser tomado por essa paixão até o último átomo. Talvez essa história seja talhada a ferro e fogo em uma placa de bronze, ou numa praia que brevemente a maré vai subir e apagar antes das onze.

No entanto tudo o que quero é revelar o que até então estava subentendido, falar desse amor, que depreciou todos os amores platônicos que viraram literatura romântica em mais de 5 mil anos de inteligência na terra.

Para encerrar, prezado amigo, gostaria de dizer que passei a gostar ainda mais de ti, por saber que estás apenas há algumas centenas de metros de distância dos aposentos desta, que transformou meus dias da água para o vinho. Deixo aqui, a certeza de que muito em breve, hei de ir te visitar, e quem sabe, também a possa encontrar... e o meu jogo antigo de palavras cruzadas (relacionamento com 9 letras) possa finalmente completar. Pois mesmo estando na gaiola não estou privado de adejar e nem tampouco de sonhar.

Espero sinceramente que volte a me escrever:

Izaú Melo

Saudade  

Posted by: Izau Melo † in


Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda