Izaú Melo

Fundador e idealizador do blog, começou a postar em dezembro de 2007, passou seis meses sem postar e agora de volta

O Blog

O blog de textos poéticos que está caminhando para o seu quarto ano e já são mais de 100.000 acessos e 2.000 comentários.

Chalil Costa

Co-fundador e responsável direto pela sua realização, escreve periodicamente.

Conceito de escravidão e idéia de liberdade - Deixando de torcer no esporte

Porque abandonei o time do meu coração?
Porque eu tinha emprestado meu amor a ele e decidi tomá-lo de volta
As competições esportivas surgiram para nos entreter
e nos tornar dormentes as questões que realmente fazem sentido
Um paliativo do sistema para desviar o seu foco, da miséria, da corrupção, da injustiça e da condição de escravidão
Torcer por um time é algo extremamente vazio e sem sentido
Durante os jogos você tem uma oscilação terrível de sentimentos
Sofre, vibra, se angustia, fica feliz, enfurecido, satisfeito ou inconformado
Se "seu" time ganha você é tomado por uma falsa e estúpida alegria
falsa porque não é sua, "seu" time ganhou mas você não
Estúpida porque o seu sentimento de vitória só dura até a próxima competição
Se ele perde você sofre, se irrita, fica com uma mágoa que dura dias
As vezes cria intrigas com amigos, se irrita com as piadas, se chateia de graça
e a troco de quê?
deixei de torcer para começar a entender
que o que não me beneficia diretamente não deve ter espaço nas minhas emoções
O craque do "seu" time que muitas vezes você o idolatra nem sabe que você existe
Não estou aqui desfrutando meramente do sensacionalismo
Dizendo que você é um alienado por assistir a copa ou as olimpíadas
mas experimente praticar o desapego e realocar esse sentimento, dedicação e devoção para algo ou alguém que realmente mereça, que te faça bem ou algo que, de fato, te agregue valor.
Torça pela vaga no emprego
Torça pela recuperação do enfermo
Torça para que o sem teto arrume um abrigo
Torça pelo sucesso de um irmão ou amigo...

Izaú Melo

Dança da galera em Cruzeiro do Sul

 
1.     Eu repudio tudo que vem da Globo, esse esgoto mental que tem idiotizado os brasileiros, "educando a nação nos moldes de Big Brother, Novelas, mini-séries, faustão e xuxa, que pregam o homossexualismo a pornografia e o racismo de forma subliminar, que por anos manipulou os interesses políticos do Brasil.
2.     Ninguém aqui tá preocupado com as questões culturais do evento, muito pelo contrário a galera tá curtindo é os 15 minutos de fama ao lado dos globais. A Globo sabendo disso não mandou apenas dançarinos mas atores dessas novelinhas que influenciam o comportamento do brasileiro.
3.     O conceito de fama é muito relativo, a fama é dada por quem admira um trabalho de alguém e muitas vezes o leva a níveis de idolatria. Os famosos são pessoas comuns iguais a mim e a você e geralmente não são tão talentosos deveriam, a fama não está atrelada a qualidade, sobretudo no Brasil, e não fique impressionado com a educação e seus sorrisos ensaiados, isso não passa de um pré-requisito do seu trabalho.
4.     Não acredito no potencial turístico do evento, vamos passar por 2 ou 3 minutos no disputado horário do Faustão (se ele conseguir parar de falar, é claro) e só isso. Se viesse a equipe do jornalismo do Globo Repórter e fizesse uma material da Serra do Divisor, das tribos indígenas, do Rio Croa, do cambô, rapé e chá do vegetal, provavelmente atrairia turistas do Brasil todo, mas a dança não, já vi inúmeros  “quadros culturais” iguais a esse e convenhamos, não dá vontade de ir lá só por isso.
5.     Se fosse os nossos artistas locais fazendo uma articulação como essa infelizmente seria uma outra realidade, o poder publico não apoiaria da mesma maneira. Se fosse uma Maria José, que está a vida inteira dedicada a dança e faz a cultura acontecer no vale do Juruá, nem a impressa cobriria. Se fosse a galera da música, que faz evento de rock, de sertanejo ou festivais estudantis da canção, apenas os envolvidos e amigos e parentes dos envolvidos participariam. Se fosse o Jânio, um dos melhores violonistas que conheço o teatro dos Náuas estaria vazio, Se fosse o Alberan Moraes, um músico de mão cheia que leva o nome da nossa cidade para os quatro cantos do país e inclusive para dentro do congresso nacional, seria só mais uma das muitas que ele tentou fazer aqui sem muita relevância. Vamos dar valor as nossas jóias, Aldemir Maciel, Edinho, Nazaré Marques, Alberto Loro, Victor Onofre, ao Marcio da Dança, aos meninos do Tucumã, Matrix Dance, aos meninos do skate, da capoeira, aos grupos de teatro escolares, Rutila, Cesar, Clerton Gaspar, Dheimisson, Emerson e tantos outros que fazem a cultura acontecer com qualidade aqui na nossa cidade.
6.     Eu acho o momento meio impróprio, passamos por um momento delicado em relação as alagações, pode parecer irrelevante, mas acho estranho fazer a festa a dois quilômetros de distancia de uma quadra que abriga varias famílias que foram expulsas de suas casa. É como fazer uma festa ao lado do velório do vizinho (só acho).
7.     Vamos procurar ações mais relevantes que tragam valor agregado, vamos fazer movimentos culturais, concursos de redação, de pintura, de poesia, vamos fazer eventos de música e de teatro onde a arrecadação seja alimentos não perecíveis, roupas, e o que for pago em dinheiro da bilheteria que a gente compre kits de higiene bucal para os ribeirinhos.
8.     E por fim, esta é minha opinião, há quem descorde dela e eu fico feliz por isso porque pensar diferente é saudável, eu não discrimino quem quer participar, vá, dance, divirta-se, tire fotos com seus famosos, post no facebook e no instagram, se é isso que te deixará feliz, seja feliz então.

Izaú Melo

Das historinhas que sempre conto pra mim


Confesso,
Eu andei escrevendo
A poesia andou me seduzindo
Belas palavras, maravilhosas metáforas
meus sentimentos
fazendo música com a própria dor
Minha esperança está iluminada pelo brilho dos inícios.
Mentira!
Escrevo porque não tenho pra quem confessar meus desafetos
voltei a te ver e te ver é sair do cativeiro permanecendo dentro dele
Escrevo porque não sei o que fazer quando vejo os teus olhos
quando esse teu sorriso bagunça tudo aqui dentro…
Juro que tento tomar outros ventos
levar minha jangada pra longe de ti
Mas percebo que não dá
porque nao aprendi a fugir de mim…
a dividir razão de amor
Igual ao suicida que não quis se matar, mas matar a sua dor...

Izaú Melo



Trip Hop

Já que eu estou aqui.
Então a gente faz assim.
Estou com a grana da hipoteca da casa, mas nem sei se vou precisar de casa se você decidir me fazer feliz só por essa noite.
Eu vou acender esse cubano que eu ganhei tem um tempo já e pagar duas ou três dozes do melhor uísque que tiver nessa adega.
Vou ali naquela banda e peço pra eles fazerem um som vermelho, assim da cor desse teu vestido e desses teus lábios carnudos insultando para serem beijados.
Simpatizei com aquele negro cabisbaixo tocando o contrabaixo…
Ele é o que eu deveria ser se ao invés das palavras eu tivesse escolhido os acordes.
Eu vou encostar em você, e só por essa noite eu queria que você me fizesse feliz.
Já não sei de onde vem a batida, de onde vem esse som?
Se são teus olhos que me chamam ou se é tua dança que me dá o tom.
Marco mentalmente:
Um, dois, três
E em teus olhos faço valer meu sorriso sacana...
Tens a cara de que “pouco não vale a pena”
Mas espera aí, você nunca será minha.
As pessoas te cercam cheias de pudor
Dentro de mim fecho sua porta,
Não me importo com o que vamos fazer hoje a noite, um, dois, três, apenas fecho a sua porta.
Não é sobre sonho,
É sobre realizar sonhos enquanto enquanto ainda se está acordado.
Não me importo se é apenas um jogo rebelde,
Um jogo de mentiras,
Hoje a noite eu queria que você me fizesse feliz.

Izaú Melo e Chalil Costa
27/03/2012

Conceito de escravidão e idéia de liberdade - Comprando Menos

 O que será que está acontecendo?
Porque eu vim até aqui?
perdemos o bom senso e a noção de rebanho
nossos valores estão invertidos
nos tornamos escravo dos objetos, das multi-marcas
nos preocupamos mais em ter dois pra si do que ter um por ter compartilhado com o que não tem nenhum.
O mercado é o símbolo da futilidade e banalidade do homem moderno
lá todos desejamos as mesmas coisas
lá todos somos iguais
Passamos de dominador para dominados
A roupa deixou de ser um instrumento para proteger o corpo
e se tornou um objeto de adoração, de identidade e de valor agregado
Não se enxerga mais a beleza interior
porque passamos a valer o que vestimos, o que usamos, o que temos
A marca se tornou uma desgraça incompreensível, onde uma camiseta de algodão chega a valer o mesmo que cinquenta camisetas do mesmo algodão
tudo isso pra atender a sádica necessidade que temos de sermos em algo melhor que os demais
Nós demos poder ao dinheiro e agora não sabemos como tomar dele
O dinheiro nos passa uma falsa sensação de poder e liberdade
Mas ele nos escravizou, roubou as melhores horas do nosso dia
roubou o tempo que era da familia, do ócio, do riso
A riqueza enclausura, mente, nos torna cervos, cegos sem poder de reação
Um pedaço de papel que apenas tem valor porque decidimos lhes dar
É por ele que estudamos boa parte da vida
É por ele que vamos trabalhar mais uma hora, mais um feriado, talvez fazer um cerão.
É por ele que nos corrompemos
É por ele que o homem mente, rouba e até mata
É por ele que estamos disposto a fazer quase ou tudo
Entenda que trabalhar o suficiente para manter-se dignamente é necessário
Mas que tudo além disso é prostituição
Afinal nos vendemos para pagar nossos luxos

Triste é pensar que a natureza fala e que a espécie humana não escuta
Que estamos dizimando a natureza e os animais em troca de mais um par de sapatos, mais um relógio, mais uma bolsa de coro fino, a moto ou o carro do ano
E estamos dormentes para isso
Porque somos fracos demais para pensar fora disso
Evite o consumismo
experimente não trocar o celular sempre que sair um mais moderno,
Experimente não comprar o que você não tem absoluta certeza de que precisa
Experimente se desfazer das peças do guarda-roupas que você já não usa e doá-las
Experiemente não usar seu cartão, não comprar no crediário, não tomar emprestado
Arrisque-se a uma vida alternativa, sem inveja, sem fetiches mercadológicos
Aprenda a dizer não para o marketing e a propaganda…
Tente sair da rota da moda e da tecnologia de ponta
desse desejo mórbido que te afronta
Desligue a TV, leia um livro, saia para passear, afague um cachorro, visite um amigo, um parente, dê atenção a um velho, escreva uns versos
Cante uma música do 14 bis*
experimente ser feliz…

Izaú Melo

*Mais uma vez - 14 bis

Conceito de escravidão e idéia de liberdade - Arriscando ser diferente

O homem perdeu a identidade e por preguiça preferiu pegar uma emprestado
E para isso, ele entra na fila do modismo,
ouvindo o que a maioria ouve,
assistindo o que a maioria assiste,
frequentando os ambientes que a maioria frequenta
Usando a internet para ler noticias das celebridades, saber que cor usar, o que diz o seu horóscopo, o que vai acontecer no próximo episódio da mini-série...

Pára nos pontos de ônibus e lanchonetes discutindo a novela, o reality show, a vida do "famoso" o jogo de futebol, o lançamento do produto que é a sensação do momento e o objeto de desejo das massas...

O fato é que nos tornamos estúpidos por opção.
Somos oportunamente ignorantes
A idiotice é o caminho mais confortável e fácil,
A maioria prefere permanecer de olhos fechados
porque abrir os olhos é acordar da fantasia globalizada
Entendo os que preferem fingir que está tudo bem e que tudo isso é normal

das opções que  o homem acha que tem
ele pode viver cheio do vazio, mergulhado em uma falsa alegria,
Achando que pode comprar a sua felicidade
Trocando seu sangue por objetos que pensa que vai lhe dar prazer
Ou acordar e perceber que ele precisa se desintoxicar
desligar a televisão, dizer não a moda, ao marketing, ao crédito, as tendências e buscar dentro de si o seu valor e perceber que a sua passividade o torna cúmplice

Precisamos também resgatar os antigos valores
ressucistar nossas crenças
O homem virou as costas para o seu Salvador
A sociedade moderna possessa de um egoísmo sem precedentes
esqueceu os ensinamentos do mestre e  engavetou o amor
A ganancia e o consumismo tentam crucificá-lo novamente
A cultura moderna repousa em um centro de descrença, uma ausência de fé.
E essa mesma falta de fé do homem moderno destruiu sua capacidade de valorizar as questões do espirito e da sua essência…
vendou seus olhos para o que de fato importa
Nossos corpos são apenas vasos
E nós decidimos enche-lo com o que queremos
Podemos optar em continuar correndo atrás do vento
Enfeitando-o externamente com a última moda e internamente com o babado do momento, a música mais tocada, o vídeo mais acessado, a parada mais popular
Ou mudarmos de direção, ousarmos pensar diferente, não temendo a retaliação, a exclusão do bando, o boicote de não ser mais um ser descolado
Perder-mo-nos da manada para encontrar-mo-nos a nós mesmos
Ir de encontro ao primeiro amor
voltar as origens e encontrar paz nos braços do Criador.

Izaú Melo

Guia definitivo de pensamentos aleatórios e sentimentos desnecessariamente incoerentes

Existem coisas que penso quando fecho os olhos, antes de dormir
Quase sempre quando desligo os motores e iço as velas
Quando entro no modo econômico
No exato momento da troca de turno da minha consciência com o livre adejar dos pensamentos mais desconexos
Quando o transe do meio sono me leva além das minhas paredes celulares
Para um mundo deslumbrante de cores vibrantes e tons sonoros
Melodias incompreensíveis e imagens distorcidas que se encaixam com a incoerência dos meus adágios
Quando lembro das coisas que eu nunca vi.
Meus sentidos se concentram querendo te trazer pra mim
Mas tudo entre nós é tão impossível que nem em sonhos você está comigo
Crio cenas e simulo situações, ensaio frases e falas que nunca vou usar

Penso em coisas quando fecho os olhos, antes de dormir
Penso,
Que o entretenimento matou o gênio
Que quem só cria animal de raça é um preconceituoso enrustido
Que sentir ciúme não faz o menor sentido
Penso que existem máquinas do tempo,
como músicas e perfumes, por exemplo
Penso que foi um feio que inventou a moda
Que é melhor andar de skate que de carroça
Que foi um gago que inventou a escrita
Penso que o ovo veio depois da galinha
Que foi um desafinado que criou o instrumento musical
E o preguiçoso o feriado nacional
Penso que tem gente que é tão pobre que só tem o dinheiro
E que tem gente que é tão rica que mesmo sem nada passa rindo o dia inteiro...
No silencio, ouço bater meu coração
Penso que até hoje ele bateu mais ou menos  um bilhão cinquenta e dois milhões trezentos e oitenta e duas vezes*
E de pensar que de uma hora pra outra ele pode parar,
eu também penso como é bom viver...

Ainda pouco eu orei por você
Alias, eu sempre oro
No inicio era pedindo a Deus que desse você pra mim
Depois, era clamando pra me explicar por que não daria...
Sem resposta, passei a orar para ele me dizer o que fazer com tanto amor
Poesia? Não sei...
Hoje, eu oro pela sua felicidade, desejos e sonhos
E o meu?
...Nem sei...
Peguei no sono...

...E não pensei em mais nada.


Izaú Melo

*calculei usando a média humana de setenta batidas por minutos vezes 24 horas, vezes 7 dias, vezes 4 semanas, vezes 12 meses, vezes minha idade atual

Latidos


A canoa que hoje remo com sacrifício já foi meu barco de diversão.
Nos fins de ano os belos fogos de artifícios, antes meu encanto, agora abalam meu coração.
E a bela moça com quem sonhei ter belos filhos, escolheu outro e outros filhos e eu fiquei sem atenção.
E tantas moças e tantos vícios que amei mais que amor de filho e o amor por mim perdi então.
E perdi tanto que perder perdeu sentido e quando estava no vazio eu escutei meu coração.
Já cansado, mas destemido meu coração me disse "amigo quem teme a vida nem precisa temer a morte, pois ainda que pareça forte és morto-vivo vivendo em vão."
Então minha canoa mudou e se fez barco a motor.
Meu coração com os fogos nunca mais se abalou.
E outra moça com quem sonhei, dessa vez me olhou.
Perdi a rima, mas recuperei o amor próprio.
Perdi o medo da vida e voltei a andar sóbrio.
Perdi o medo da morte e ganhei a imensidão.
Pois a vida bem vivida vem da voz dos latidos do coração.


Marcelo Siqueira

A maior tragédia de nossas vidas


Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul.
Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

Fabrício Carpinejar

Sol negro

 
Luz da paixão, minha vida
Plenitude, em teus abraços
Tantas mil vezes colorida.
Coração da minha alma
Sagrada fonte, inspiração!
Canção doce que me acalma
É tudo que ultrapassa a perfeição.
Destino único que desejo,
Fim de todas as minhas vidas.
Eterno amor –um lampejo!
E a cada dia que não te vejo
Que não te toco e não te beijo
Princípio e fim, tudo é igual.
Num deserto em multidão
Só vejo a cor de um temporal.
Entre a distância e a saudade
Um imenso abismo sideral.
Se foi destino ou maldição
De toda a vida que me deste
Restou-me a alma
Mas a deixaste sem coração.
Além do sol, onde me encontro
Apenas sombra e solidão!


Nirléia Lima